10 Mitos Sobre Treinamento na Gestação

 

Texto extraído do livro de Douglas S. Brooks, 2008, baseado nas publicações do (ACGO) AMERICAN COLLEGE OF OBSTETRICIANS AND GYNECOLOGIST e outros autores.

Há ainda informações errôneas e ultrapassadas quando se diz a respeito do treinamento na gestação.

 

1º MITO: O EXERCÍCIO NUNCA DEVE ULTRAPASSAR 15 MIN.

Embora não seja uma má ideia utilizar o exercício intermitente, seguidos de tempos de recuperação e hidratação, o limite estrito de 15 min surgiu na tentativa inicial de se estabelecer um parâmetro seguro para o treino na gestação (ACOG,1985).
A maioria das pesquisas e estudos atuais, relatam que gestantes sem complicações podem se exercitar virtualmente com as mesmos cuidados das mulheres não grávidas, o (ACOG,1994;2002) apoia o treinos maiores de 30’ diários para gestantes saudáveis, contanto que permaneçam bem hidratadas e percebam o exercício como ameno ou moderado.

 

2º MITO: A FREQUÊNCIA CARDÍACA DURANTE O EXERCÍCIO NUNCA DEVE EXCEDER 140 BATIMENTOS POR MINUTO:

Essa orientação com limite também surgiu em 1985 através do ACOG com o intuito de estabelecer um limiar seguro para o treinamento na gestação na época.
As pesquisas mais recentes revelam que esse limiar da FC em 140 bpm era obtido com cargas que mal ultrapassavam o nível de esforço de um aquecimento, então as novas orientações dizem que mulheres gestantes podem realizar exercícios regulares com percepção de esforço moderado em todos os dias (ACOG,2002).
Essa mudança de conceito permite que cada gestante regule seu próprio nível de condicionamento e esforço percebido, o que corresponde a um maior respeito à individualidade biológica de condicionamento.

 

3º MITO: O EXERCÍCIO GERA BEBÊS DE BAIXO PESO.

As descobertas das pesquisas têm sido inconsistentes com a relação ao peso fetal nas mulheres que se exercitam (Artal e Sherman, 1999). Alguns estudos mostram tanto bebês com pesos mais baixos, sem diferença de peso ou pesos mais elevados ao nascer (Artal e Sherman, 1999). Uma revisão (Pivarnik, 1998, citado na p. 54 de Artal e Sherman, 1999) concluiu que “as evidências atuais parecem indicar que a participação em atividade moderadas durante a gravidez pode aumentar o peso do bebê”.
Pivarnik (1998) relata que falta nos estudos a quantificação calórica para chegar a conclusões definitivas.
James Clapp (1998) relatou que exercícios durante a gestação são capazes de reduzir a gordura fetal sem reduzir o tamanho total, em outras palavras, gestantes que se exercitam não tem bebês com baixo peso (menos de 2,5kg), mas podem ter bebês mais leves, esbeltos e saudáveis.

 

4º MITO: EXERCÍCIO VIGOROSO PODE CAUSAR ABORTOS OU TRABALHOS DE PARTO PREMATUROS, E AS ATLETAS GRÁVIDAS QUE SE EXERCITAM INTENSAMENTE COMPROMETEM A SAÚDE MATERNA FETAL (Kardell e Kase 1998; Bailey, Davies e Busgett, 1998; Hale e Milne, 1996).

Estudos de casos tem levado as pessoas acreditarem que o exercício durante a gravidez provoca alta incidência de abortos. A taxa normal de abortos situa-se entre 15 a 20%. A incidência de abortos nas gestantes que praticam exercícios é de 16 a 17% (Clapp, 1998). Continuar com a prática de exercícios durante a gestação não conduz a maior incidência de abortos ou deficiência de nascença.
A relação ao trabalho de parto prematuro, se dá devido a preocupação da produção de norepinefrina e prostaglandina durante o exercício (ou ao ficar de pé por períodos prolongados) pudesse estimular a atividade uterina e o trabalho de parto prematuro. Um estudo concluiu que “a redução observada no risco de parto prematuro em uma população obstétrica geral é uma evidência da segurança, bem como dos benefícios potenciais do exercício durante a gestação” (Artal e Sheman, 1999 . p.57).
O exercício vigoroso, embora não recomendado para gestantes, algumas ATLETAS, com alto nível de condicionamento físico parecem ser capazes de treinar com segurança em maiores níveis de exigência física (Bailey, Davies e Budgett, 1998; Hale e Milne 1996; Kardel e Kase, 1998).
São necessárias ainda mais pesquisas relacionadas a treinos intensos e vigorosos e seu impacto sobre o crescimento fetal (Schnirring, 2002).

 

5º MITO: SE VOCÊ NUNCA SE EXERCITOU, NÃO INICIE UM PROGRAMA DE EXERCÍCIOS DURANTE A GRAVIDE. VOCÊ TERÁ MAIS PREJUÍZOS QUE BENEFÍCIOS. 

A gestação não deve ser uma desculpa para permanecer sedentária ou motivo para ganhar peso desnecessário (ACOG,2002).
O exercício durante a gestação tem potencial efeito de reduzir a probabilidade do diabetes gestacional (ACOG, 2002; Schnirring, 2002) em virtude de poder reduzir a resistência à insulina e aumentar sua eficiência.
Benefícios adicionais da inclusão de exercícios durante a gestação incluem a melhoria do tempo de recuperação pós parto, evita-se ganho excessivo de peso e reduz a fadiga durante a gestação.
A inclusão de um programa de exercício na gravidez aumenta a consciência dos cuidados consigo própria e com o feto, e pode ser uma excelente época para iniciar um programa de exercícios, afetando positivamente a saúde da mãe pela vida inteira (Scnirring, 2002; ACOG, 2002).

 

6º MITO: CORRER É CONTRA INDICADO OU DESACONSELHÁVEL DURANTE A GESTAÇÃO.

É recomendado durante a gestação a ênfase em atividades de baixo impacto, como ciclismo estacionário, natação, musculação, caminhada e aeróbico de baixo impacto. Porém, a corrida moderada não está fora dos limites e se trata de um exercício muito autolimitado.
A gestante deve estar em contato com o próprio corpo o suficiente para poder discernir honestamente quando não estiver se sentindo bem ao correr.
Em geral isso acontece em torno do 3º semestre da gestação, quando o feto aumenta de tamanho, gerando assim maiores desconfortos posturais (Bailey, Davies, Budgett, 1998).

 

7º MITO: O TREINAMENTO OU RESISTÊNCIA É INADEQUADO DURANTE A GRAVIDEZ.

Atividades físicas, como esportes de contato geram alto risco para a gestante, por risco de queda e ou trauma abdominal.
Até bem recentemente, o treinamento de força e resistência durante a gravidez era pouco recomendado. Mas agora sabemos que as gestantes podem continuar ou iniciar rotinas de treinos de força, com ênfase na mecânica correta dos exercícios.
Recomenda-se o uso de cargas leves a moderadas, que mantenham o condicionamento muscular enquanto minimizam o potencial de lesões nos ligamentos e articulações. Cargas pesadas devem ser evitadas.
(Ver post sobre treinamento na gestação)

 

8º MITO: A MULHER PODE COMER QUALQUER COISA QUE DESEJAR DURANTE A GRAVIDEZ, OS SUPLEMENTOS NUTRICIONAIS NÃO SÃO NECESSÁRIOS NESSE PERÍODO PORQUE HÁ UM AUMENTO DE CALORIAS.

A nutrição e suplementação são muito importante durante a gravidez.
É comum durante a gestação umas comerem demais e outras menos, outras farão escolhas ruins de alimentos, com ausência de nutrientes e não beberão fluidos suficientes para hidratação.
Geralmente são adicionadas entre 200 a 300 calorias á ingestão diária na metade do segundo trimestre para garantir um ganho saudável de peso na margem de 10  a 14 quilos.
O ganho de peso excessivo não é indicado (ACOG,2002).
Na gestação há necessidades protéicas, de cálcio, ferro, vitaminas do complexo B específicas, também normalmente é recomendado e necessário o dobro da ingestão de ácido fólico, tudo isso para a boa saúde da mãe e boa formação fetal.
Os bons hábitos nutricionais devem começar antes de uma gravidez planejada e continuar pelo resto da vida.

 

9º MITO:O EXERCÍCIO PREJUDICA O BEBE.

Hoje o conhecimento nessa área ainda é muito incompleto, por isso existem preocupações com o bem estar do feto que está se desenvolvendo quando a mãe se exercita. Ainda não há uma resposta definitiva, enquanto isso é melhor manter as orientações para o lado conservador. Mas sempre encoraje a cliente a dar atenção ao seu senso comum. A grande maioria das grávidas veem isso como uma forma de manter o condicionamento físico e trazer o bebê ao mundo com segurança.

 

10°MITO: A CIÊNCIA PROVA QUE A PREOCUPAÇÃO COM EXERCÍCIO DURANTE A GRAVIDEZ FORAM POSTAS DE LADO.

A próxima sessão discute o que a ciência pode nos dizer e quais atrás necessitam de maiores pesquisas. É importante que se forme uma aproximação com o médico da cliente grávida, para que assim haja a tendência da utilização de protocolos conservadores.

 

 

Rodrigo Mangini

Cref/BA 4953

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Rodrigo Mangini

Sou licenciado em Educação Física pela Universidade Católica de Salvador, Bahia – Brasil. Tenho mais de 20 anos de experiência com musculação e prescrição de treinamento físico individualizado, sempre prezando pelo bem estar e bons resultados dos meus alunos.

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